Meu Deeeeus, quanto tempo!
Diria que entre o último post e hoje passaram-se exatamente uma vida todinha! Na verdade, três vidas, porque entre o antes e o agora, três novas vidas passaram a existir no meu mundo. Tudo produção caseira, feitas por mim feat. marido. Mas nem é por isso que resolvi voltar a escrever aqui...
O blog se chama Pollys por aí. Eu comecei a escrever quando saí pela segunda vez de casa (na primeira fui fazer intercâmbio nos EUA, com 22 anos). Agora, aos 41, novamente saí de casa e estou por aí. Na verdade, por aqui — por Miami Beach. Mas calma, não saí de casa para sempre. Foi só durante as férias das crianças, que estão muito bem, obrigada, felizes esquiando com o papai.
Nem é a primeira vez que viajo “solo”, mas dessa vez eu estava apagando uns e-mails antigos e caí de paraquedas aqui, no blog. Fui lendo tudo e achando tão interessante ver minhas primeiras impressões sobre essas terras europeias, e principalmente ver quem eu era naquele momento, mais de 15 anos atrás. Estudante de Psicologia que sou hoje (olha ela, toda jovem), achei interessante como experimento social mesmo. E como escritora (sim, estive tão sumida que tive até tempo de virar escritora, muy loco), o bichinho da escrita me mordeu com vontade, haha. Fiquei doida para voltar a escrever aqui, com essa liberdade, com meu estilo próprio e com esse jeito de ver o lado bom e engraçado das coisas. E de fazer piada comigo mesmo! Santa energia ariana!
| Isso foi agora, escrevendo feliz. |
Venho sendo constantemente estimulada pelas minhas grandes amigas inspiradoras Déborah e Ariella (ps: menina, nesse tempo off eu fiz taaaantas amizades maravilhosas! Meu Deus, como sou abençoada! A amizade entre mulheres me fez me redescobrir e me reamar — será que essa palavra existe? — de tantas formas que nem tenho como explicar aqui, pelo menos não nesse primeiro post), a transcrever nossos áudios e escrever um livro. Daí que reler meus escritos de xóvem reacendeu essa vontade. Com força total!
Pois é, venho passando por muitas transformações nesses últimos anos, e as amigas são testemunhas fiéis de cada choro, cada questionamento, cada descida — mas também de cada vitória, porque afinal de contas, a vida não é uma estradinha reta e achatada, né, gente? E se estiver tudo muito calmo, desconfie! Talvez você tenha morrido e esqueceram de te avisar, haha.
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| Desconfie! |
Mas o que vim dizer foi que estou em Miami, curtindo uma semaninha de férias sem filhos, sem marido, sem ninguém. Aliás, sem ninguém não: com a pessoa mais importante da minha vida — EU! Com minhas próprias vontades, também com minhas obrigações, porque as provas da faculdade começam em um mês e eu estou louca estudando Estatística e Biologia da Psicologia. Sim, passo os dias na biblioteca, mas faço pausas à beira-mar para comer uma frutinha ouvindo o barulho das ondas. E também estudo na beira da piscina, ou na beira do mar. E também saio à noite para dançar com as amigas (incríveis e divertidas) que eu fiz! Obrigada, Deus! Obrigada, marido, que ficou com as crianças, e obrigada a mim mesma pela coragem de viver minhas aventuras e assumir para o mundo.
Porque sei muito bem que sou julgada à torto e à direito. Afinal, que tipo de mulher deixa os filhos e o marido para viajar sozinha? Curtir sua liberdade (inclusive: pra quê casou, se queria liberdade?)? Pois é, o tipo eu! E aposto que não estou sozinha nessa! E também, se estiver, estou em boa companhia ;)
Já faz um tempo que esses julgamentos e expectativas externas não me atingem como antes. Ouço, separo o que é meu do que é da própria pessoa, e sigo meu caminho, sem deixar nada nem ninguém me parar. Amém!
| Aquela cara de beeeem preocupada com os julgamentos... |
Inclusive, quando for psicóloga (daqui a mil anos, haha), vou “receitar” uma semaninha de férias para todas as mães! Por quê? Porque merecemos, porque precisamos, porque nesse estado “solo” nos reencontramos com nós mesmas, e às vezes até renascemos. Renascemos mais fortes, cheias de energia positiva. E mesmo fazendo isso por nós mesmas, na prática todos ao redor se beneficiam. Porque voltamos melhores e transmitimos isso aos filhos e ao marido.
E olha, sinceramente, tenho pensado muito nisso. Uma das coisas que quero MUITO que meus filhos aprendam é: nunca se abandonem! Pensar em si, ouvir e respeitar os próprios desejos e sentimentos não é egoísmo, é maturidade emocional! Ser mãe é um papel lindo na vida de uma mulher, mas está longe de ser o único. Quero que minhas filhas também se sintam autorizadas a viajar sozinhas (se for o desejo delas, claro), deixando meus futuros netos (que Deus os mande! haha) com os devidos pais. E que fique claro que AMO minha família imensamente e adoro passar férias com eles também. Mas uma coisa não exclui a outra. Meus filhos não têm nenhuma dúvida de que eu os amo, e viajar sozinha não põe em questão a relação que construo todos os dias. Que bonito isso. Eu li num livro! (haha mentira, era só para usar a “ref”. Pegou?)
Não precisar cuidar de ninguém além de mim mesma é um luxo! Esse luxo traz tempo, traz liberdade e traz conexão com minha própria verdade.
Enfim, até cansei de tanta explicação, haha. Mas o que queria dizer é que:
Pollys está novamente por aí!
Depois de uns 15 anos, um mestrado, uma empresa criada (Minibilíngue), três filhos, alguns kg a mais, 24 fios de cabelo branco, sete livros infantis publicados, um diploma de Reiki e uma nova faculdade para chamar de sua: Psicologia. Numa viagem buscando o mar, o sol, o calor e um cadinho de aventura. E também lugares tranquilos para estudar, hehe.
Como o budget do meu experimento social (digo, viagem) não é ilimitado, estou dormindo em um albergue da juventude, dividindo o quarto com mais três mulheres COMPLETAMENTE diferentes. Duas jovens na faixa dos 20 (uma sai sempre, a outra só sai depois das 2h da manhã, de peruca, e ontem contou que outro dia fez um show de strip-tease — sendo que ela tem cara de ter, no máximo, 16 anos). A outra se auto-intitulou mãe da galera toda, hehe. Vem de Massachusetts e tem 53 anos. É separada, e sua ex-mulher está cuidando dos filhos enquanto ela passa as férias aqui. Ela é uma figura: divertida, risonha e gente boa. Diz que não bebe, mas está SEMPRE me chamando para tomar uma cerveja, haha.
Outro dia, a mais novinha perguntou se ela não tinha um vape. Ela respondeu: “Sim, mas só de maconha.” Eu fiquei parecendo aquele meme da Renata Sorrah com cálculos, sabe? Haha. Nem sabia que isso existia! Viram aí quanta coisa se aprende numa viagem? Miami também é cultura, hehe.
| O quarto |
Brincadeiras à parte (mentira, que não sou dessas de deixar as brincadeiras de lado), Miami Beach é linda! O mar, maravilhosamente azul! A areia branquinha, as gaivotas muito sociáveis! O sol que vim buscar está bem aqui! O calor também (embora esteja ventando muito).
| Saudável comendo minha frutinha quando ouço uma voz estranha... |
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| "Senhora, senhora? Poderia dividir esse abacaxi conosco?" |
E sobre as boas surpresas da viagem? Fui para uma aula de esporte que o hostel onde estou organiza, num hostel vizinho. Lá conheci uma francesa super gente boa, também viajando sozinha, na minha faixa etária, saindo de uma separação recente. Ela me falou de um jogo de basquete que iria acontecer naquela mesma noite. Achei uma ótima ideia! Acabei indo assistir ao jogo e foi muito massa! Depois fomos tomar um drink (enfatizo que realmente foi UM, até porque o preço que paguei no martini dava para comprar um rim) com uma outra amiga brasileira que conheci quando vim para cá ano passado, e que virou uma grande amiga, a Vanessa (beijo, Van!). ADORO essas surpresas boas da vida!
| As mina felizes, porém descapitalizadas depois do drink! |
| Mais nova torcedora do Miami Heat! |
E no outro dia tinha samba de roda num restaurante brasileiro onde a Van tinha me levado ano passado. Esse ano ela não pôde ir, então fui eu e a francesa — que, por sinal, se chama Joanna — sambar no pé, haha. E vocês não têm ideia! Foi bom demais! Encontramos umas senhorinhas espanholas super animadas que me pediram para ensinar samba para elas também, haha. E eu nem sei sambar tão bem assim, mas estava tão feliz que sambei. Sambei, ensinei para as senhorinhas, para a amiga francesa, para mais duas latinas que vieram me pedir, e depois ainda dancei a brincadeira da tomada, “vem neném” e “na boquinha da garrafa”. Me julguem! Hahaha.
| Eu e Joanna logo depois de: "andou na prancha, cuidado o tubarão vai te pegar!" |
Amores, realmente o dendê continua correndo nas minhas veias. Dancei com coreografia e tudo, haha. Memória boa danada! Sem medo de ser feliz — êta coisa boa! Quem mora fora vai entender esse sentimento!
Nem tô sendo paga pra isso (inclusive, poderia!), mas o restaurante se chama Boteco, e serve uma caipiroska de maracujá deliciosa, além de uma porção de torresmo capaz de alimentar uma família inteira! Sem precisar pagar um rim, o question é raro por aqui! (Sim, deixei de ser vegetariana. Não me orgulho nem um pouco, mas isso é assunto pra outro post).
Conhecer gente nova, interessante, dar boas risadas, se divertir… Em que momento isso deixou de ser importante ? Ok, talvez no momento em que fui engulida pela realidade do dia-a-dia com 3 filhos pequenos. Que bom poder também viver essa tal liberdade, para além de ser engolida. Inclusive, Alexandre Pires, sei direitinho "o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade"! hahaha
Pois é, por enquanto é só isso, porque preciso voltar a estudar!!! Mas prometo que virei mais vezes aqui! Ou manterei esse blog em sigilo e só falarei dele quando for transformá-lo em livro! Aff, o problema é que não sei guardar segredo meu...
E agora, como tá na moda, venho pedir encarecidamente para que você, que me leu até aqui, reaja! haha Nem precisa mandar sinal de fumaça,viu? Deixa um comentário que já vou ficar feliz em saber o que vcs acharam desse meu come-back e se querem mais ;). Beijoooos


Feliz demais com a sua volta! Não vejo a hora de ler o próximo post! Amei!♡
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